segunda-feira, 19 de junho de 2017

ARMADILHA TECNOLÓGICA



Mudanças de grandes dimensões estão sendo impulsionadas pelos novos e criativos apps[1] da tecnologia móvel. Hoje estamos num movimento de imensa velocidade de conecção de diversos dispositivos eletrônicos, empresas, negócios e pessoas. A conectividade exige que todos os recursos tecnológicos existentes atendam à compatibilidade, interagibilidade (possibilidade de relacionamento pessoal, profissional, comunicação, prestação de serviços, vendas) etc.
Para atender à demanda provocada pela conectividade, aumentando a velocidades de conexão e o crescente número de dispositivos conectados é necessário também uma nova abordagem para as infraestruturas de armazenamento, clouds[2] e o gerenciamento dos dados e tantas informações produzidas.
Geridos de forma eficiente, os dados e as informações oferecem a possibilidade de construção de conhecimentos estratégicos e uma riqueza de oportunidades para as pessoas e empresas. Exige também uma aplicação inteligente, rápida e flexível com uso de softwares capazes de  processar, analisar e interpretar o volume dessas informações geradas.
Atualmente as organizações partem para a acomodação de smartphones, tablets e outros dispositivos pessoais em redes internas, com os recursos de segurança mais robustos e disponíveis. Daí, a velocidade de inovação, o crescimento do capital intelectual e aumento do nível empresarial, são astronômicos, simultaneamente levantando novos desafios e oportunidades extraordinárias.
Baixamos milhões de apps e contamos com eles para fazer de tudo, desde transações bancárias a pedir um uber até o armazenamento de fotos pessoais. Um bilhão de pessoas postam informações em sites, facebbok, twitter, Instagram e fornecem, informações de redes sociais de outras pessoas e empresas.
De acordo com Marc Goodman (2015) os aspectos positivos dessa evolução tecnológica são evidentes. Os telefones celulares sozinhos são diretamente responsáveis por gerar bilhoes de dólares em desenvolvimento econômico em todo o mundo.
Além disso, prossegue o autor dizendo que a interconectividade que a internet oferece por meio de sua arquitetura fundamental significa que pessoas diferentes de todo o mundo podem se reunir e compartilhar informações como nunca havia sido possível.
Contudo, alerta o escritor, na obra livro Future Crimes. “O que aconteceria se as armadilhas tecnológicas de nossa sociedade moderna – as ferramentas fundamentais das quais estamos falando e totalmente dependentes – desaparecessem?  Qual é o plano de contingência da humanidade? Na verdade, não existe.”


[1] Abreviação de aplicativo móvel. Software desenvolvido para ser instalado em um dispositivo eletrônico móvel, como um telefone celular, tablet etc. Disponível em Wikipédia. Acesso em: 19/06/2017
[2] Conceito de armazenamento em nuvem com computadores e servidores compartilhados e interligados por meio da internet e que podem ser acessados de qualquer lugar do mundo. Disponível em Wikipédia. Acesso em: 19/06/2017.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

EQUIPAMENTOS COLETIVOS DA INTELIGÊNCIA


Texto de Pierre Levy[1] extraído do livro As Tecnologias da Inteligência.

Durante muito tempo, os informatas consideraram-se especialistas em máquinas. Apesar da extraordinária penetração dos computadores pessoais e da progressiva transformação da informática em mídia universal, grande número de informatas ainda mantém esta concepção. Da mesma forma que Douglas Engelbart[2], gostaríamos de opor a imagem de um criador envolvido com os equipamentos coletivos da inteligência àquela do especialista em computadores. É preciso deslocar a ênfase do objeto (o computador, o programa, este ou aquele módulo técnico) para o projeto (o ambiente cognitivo, a rede de relações humanas que se quer instituir.
Vale a pena repetir que a maior parte dos programas atuais desempenha um papel de tecnologia intelectual; eles reorganizam, de uma forma ou de outra, a visão do mundo de seus usuários e modificam seus reflexos mentais. As redes informáticas modificam os circuitos de comunicação e de decisão nas organizações. Na medida em que a informatização avança, certas funções são eliminadas, novas habilidades aparecem, a ecologia cognitiva se transforma. O que vale a dizer que engenheiros do conhecimento e promotores da evolução sociotécnica das organizações, serão tão necessários quanto especialistas em máquinas.


[1] Pierre Lévy é um filósofo francês da cultura virtual contemporânea. Vive em Paris e leciona no Departamento de Hipermídia da Universidade de Paris-VIII. Foi incentivado e treinado por Michel Serres e Cornelius Castoriadis a ser um pesquisador. Especializou-se em abordagens hipertextuais quando lecionou na Universidade de Ottawa, no Canadá. Após sua graduação, preocupou-se em analisar e explicar as interações entre Internet e Sociedade. Desenvolveu um conceito de rede, juntamente com Michel Authier, conhecido como Arbres de connaissances (Árvores do Conhecimento). Lévy também pesquisa a inteligência coletiva focando em um contexto antropológico, e é um dos principais filósofos da mídia atualmente. Suas pesquisas se concentram principalmente na área da cibernética.
[2] Douglas Engelbart é conhecido por ter inventado o mouse de computador (juntamente com Bill English); por ser um pioneiro na interação entre humanos e computadores, cuja equipe desenvolveu o hipertexto, computadores em rede e os precursores de interfaces gráficas; e por estar comprometido e defender o uso de computadores e redes para ajudar a solucionar os cada vez mais complexos e urgentes crescentes problemas do mundo atual. Disponível em Wikipédia. Acesso em 27/10/2015.