terça-feira, 27 de outubro de 2015

EQUIPAMENTOS COLETIVOS DA INTELIGÊNCIA


Texto de Pierre Levy[1] extraído do livro As Tecnologias da Inteligência.

Durante muito tempo, os informatas consideraram-se especialistas em máquinas. Apesar da extraordinária penetração dos computadores pessoais e da progressiva transformação da informática em mídia universal, grande número de informatas ainda mantém esta concepção. Da mesma forma que Douglas Engelbart[2], gostaríamos de opor a imagem de um criador envolvido com os equipamentos coletivos da inteligência àquela do especialista em computadores. É preciso deslocar a ênfase do objeto (o computador, o programa, este ou aquele módulo técnico) para o projeto (o ambiente cognitivo, a rede de relações humanas que se quer instituir.
Vale a pena repetir que a maior parte dos programas atuais desempenha um papel de tecnologia intelectual; eles reorganizam, de uma forma ou de outra, a visão do mundo de seus usuários e modificam seus reflexos mentais. As redes informáticas modificam os circuitos de comunicação e de decisão nas organizações. Na medida em que a informatização avança, certas funções são eliminadas, novas habilidades aparecem, a ecologia cognitiva se transforma. O que vale a dizer que engenheiros do conhecimento e promotores da evolução sociotécnica das organizações, serão tão necessários quanto especialistas em máquinas.


[1] Pierre Lévy é um filósofo francês da cultura virtual contemporânea. Vive em Paris e leciona no Departamento de Hipermídia da Universidade de Paris-VIII. Foi incentivado e treinado por Michel Serres e Cornelius Castoriadis a ser um pesquisador. Especializou-se em abordagens hipertextuais quando lecionou na Universidade de Ottawa, no Canadá. Após sua graduação, preocupou-se em analisar e explicar as interações entre Internet e Sociedade. Desenvolveu um conceito de rede, juntamente com Michel Authier, conhecido como Arbres de connaissances (Árvores do Conhecimento). Lévy também pesquisa a inteligência coletiva focando em um contexto antropológico, e é um dos principais filósofos da mídia atualmente. Suas pesquisas se concentram principalmente na área da cibernética.
[2] Douglas Engelbart é conhecido por ter inventado o mouse de computador (juntamente com Bill English); por ser um pioneiro na interação entre humanos e computadores, cuja equipe desenvolveu o hipertexto, computadores em rede e os precursores de interfaces gráficas; e por estar comprometido e defender o uso de computadores e redes para ajudar a solucionar os cada vez mais complexos e urgentes crescentes problemas do mundo atual. Disponível em Wikipédia. Acesso em 27/10/2015.