Texto
de Pierre Levy[1] extraído do livro As Tecnologias da Inteligência.
Durante
muito tempo, os informatas consideraram-se especialistas em máquinas. Apesar da
extraordinária penetração dos computadores pessoais e da progressiva
transformação da informática em mídia universal, grande número de informatas
ainda mantém esta concepção. Da mesma forma que Douglas Engelbart[2], gostaríamos de opor a
imagem de um criador envolvido com os equipamentos coletivos da inteligência
àquela do especialista em computadores. É preciso deslocar a ênfase do objeto
(o computador, o programa, este ou aquele módulo técnico) para o projeto (o
ambiente cognitivo, a rede de relações humanas que se quer instituir.
Vale
a pena repetir que a maior parte dos programas atuais desempenha um papel de
tecnologia intelectual; eles reorganizam, de uma forma ou de outra, a visão do
mundo de seus usuários e modificam seus reflexos mentais. As redes informáticas
modificam os circuitos de comunicação e de decisão nas organizações. Na medida
em que a informatização avança, certas funções são eliminadas, novas
habilidades aparecem, a ecologia cognitiva se transforma. O que vale a dizer
que engenheiros do conhecimento e promotores da evolução sociotécnica das
organizações, serão tão necessários quanto especialistas em máquinas.
[1]
Pierre Lévy é um filósofo
francês da cultura virtual contemporânea. Vive em Paris e leciona no Departamento
de Hipermídia
da Universidade de Paris-VIII. Foi
incentivado e treinado por Michel Serres e Cornelius Castoriadis a ser um
pesquisador. Especializou-se em abordagens hipertextuais quando lecionou na Universidade de Ottawa, no Canadá. Após
sua graduação, preocupou-se em analisar e explicar as interações entre Internet
e Sociedade.
Desenvolveu um conceito de rede, juntamente com Michel Authier, conhecido como Arbres
de connaissances (Árvores do Conhecimento). Lévy também pesquisa a inteligência
coletiva focando em um contexto antropológico, e é um dos principais filósofos
da mídia
atualmente. Suas pesquisas se concentram principalmente na área da cibernética.
[2]
Douglas Engelbart é conhecido
por ter inventado o mouse de computador (juntamente com Bill English); por ser um pioneiro na interação
entre humanos e computadores, cuja equipe desenvolveu o hipertexto, computadores em rede e os
precursores de interfaces gráficas;
e por estar comprometido e defender o uso de computadores e redes para ajudar a
solucionar os cada vez mais complexos e urgentes crescentes problemas do mundo
atual. Disponível em Wikipédia. Acesso em 27/10/2015.
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